Na onda da ressaca da imprensa sobre o suposto ataque de skinheads contra a brasileira Paula e da notícia de que o integrante do Solange Tô Aberta foi vítima de homofobia, cheguei ao link da entrevista do Bernardo Carvalho sobre seu novo livro, O Filho da Mãe, que a Companhia das Letras lança este mês.

Ele fala da homofobia das cidades russas, onde se passa o livro. Segue um trecho:

O quanto a viagem foi importante para você escrever o livro? A ideia de falar do ódio a homossexuais, por exemplo, surgiu lá?

A viagem foi muito importante, porque sem essa experiência do pânico, por exemplo, eu não teria visto nada daquilo. Eu alucinei a cidade. Isso não quer dizer que eu não tenha entendido nada do que vi. Houve uma distorção subjetiva (sem a qual o romance não existiria), mas a alucinação não deixa de ser uma forma de entendimento, neste caso até mais interessante do que uma visão objetiva. Quanto aos homossexuais, o que me interessava, na verdade, era escrever sobre personagens que, como eu, não coubessem ali. Além de homossexuais, os dois protagonistas são “estrangeiros” (não conseguem se inserir na cidade e só pensam em ir embora) como eu. Não vi nenhuma agressão a homossexuais, mas basta ler o noticiário para saber que nas grandes cidades russas há homofobia, assim como agressões e preconceito contra “estrangeiros” de antigas repúblicas soviéticas, sobretudo do Cáucaso.

Para ler o resto da entrevista, aqui.

Estou ansioso para ler este novo livro de Bernardo. Faz parte de uma série da Companhia das Letras chamada Amores Expressos, em que 17 autores são enviados a diferentes lugares do mundo para escreverem uma história de amor.